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Contra desmatamento, varejista alemã Aldi anuncia que não venderá mais carne brasileira

Multinacional segue exemplo de outras grandes empresas europeias que, em dezembro passado, anunciaram boicote à carne do Brasil como resposta à destruição da floresta

CRISTIANE PRIZIBISCZKI, no O Eco

A varejista alemã Aldi anunciou, na última sexta-feira (18), que deixará de vender carne brasileira, em um “posicionamento claro contra o desmatamento na região amazônica”. A multinacional alemã é uma das maiores cadeias de supermercados do mundo, com mais de 10 mil lojas em 20 países.

O anúncio oficial sobre o boicote à carne brasileira se dá nove meses depois a empresa alemã e outros grandes varejistas europeus terem alertado que assim o fariam, em resposta ao Projeto de Lei 510/21, que trata da regularização fundiária no Brasil e poderá abrir caminho para ocupação de 24 milhões de hectares de florestas públicas, com o consequente aumento no desmatamento.

A varejista alemã Aldi anunciou, na última sexta-feira (18), que deixará de vender carne brasileira, em um “posicionamento claro contra o desmatamento na região amazônica”. A multinacional alemã é uma das maiores cadeias de supermercados do mundo, com mais de 10 mil lojas em 20 países.

O anúncio oficial sobre o boicote à carne brasileira se dá nove meses depois a empresa alemã e outros grandes varejistas europeus terem alertado que assim o fariam, em resposta ao Projeto de Lei 510/21, que trata da regularização fundiária no Brasil e poderá abrir caminho para ocupação de 24 milhões de hectares de florestas públicas, com o consequente aumento no desmatamento.

Em uma carta aberta publicada em maio de 2021, cerca de 50 redes varejistas, fornecedores de alimentos e empresas de investimento europeias disseram que o PL 510/21 possuía “ameaças potenciais ainda maiores para a Amazônia”, para além das que a floresta já sofre. Dentre as signatárias, estavam, além da Aldi, as gigantes varejistas Tesco, Lidl e Marks & Spencer.

Mesmo com a ameaça de sanções econômicas das grandes multinacionais, a proposta seguiu em frente e está para ser votada no Congresso brasileiro ainda em 2022.

Mercado europeu se fechando
Em dezembro passado, cinco redes de supermercado europeias e uma fabricante de alimentos – dentre elas o Carrefour Belgium (subsidiária do grupo francês de mesmo nome) e a holandesa Lidl – já haviam anunciado que deixariam de vender carne proveniente do Brasil ou produtos de carne ligados à empresa brasileira JBS por causa de recentes denúncias de destruição da floresta Amazônica.

Os boicotes, à época, foram motivados por uma denúncia feita pelas organizações Repórter Brasil e Might Earth de que a JBS comprava gado de fornecedores indiretos ligados ao desmatamento ilegal. JBS alegou que as irregularidades encontradas se referiam a uma pequena parcela de seus fornecedores e que todas elas haviam sido corrigidas.

A renúncia da alemã Aldi à carne brasileira valerá a partir do verão de 2022 para todos os novos contratos com fornecedores de carnes frescas e congeladas, segundo a declaração oficial da empresa (em alemão). Como próximo passo, a empresa pretende checar a origem da carne processada.

O objetivo é que, até 2030, esse controle da cadeia se estenda também para soja e óleo de palma.

“Como varejista internacional com cadeias de suprimentos globais, queremos assumir a responsabilidade e desempenhar nosso papel na prevenção do desmatamento da floresta tropical, disse a Diretora Administrativa de Compras da Aldi, Tanja Hacker.

Desmatamento crescente
O desmatamento na Amazônia atingiu 13.235 km² entre agosto de 2020 e julho de 2021, segundo as medições oficiais do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE). O aumento foi de quase 22%, em relação ao período anterior (agosto 2019 e julho de 2020). O número apurado pelo INPE foi o maior em 15 anos.

Segundo previsões da plataforma de inteligência artificial PrevisIA, o desmatamento em 2021 pode chegar a 15 mil km².

Foto: Cresce restrição ao mercado da carne por causa do descontrole do desmatamento na Amazônia. Foto: Marcio Isensee e Sá.

Esta reportagem foi, originalmente, publicada no O Eco, em 21 de fevereiro de 2022.

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