Tópicos de atendimento ao TAC da Carne na Amazônia
Nos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados entre o Ministério Público Federal (MPF) e frigoríficos que atuam na Amazônia, foi estabelecida, entre outras obrigações, a divulgação da relação de fazendas fornecedoras de bovinos, como mecanismo de transparência e de fortalecimento do controle sobre a origem dos animais adquiridos. Em um dos trechos do TAC, disponíveis no protocolo Boi na Linha, consta, por exemplo, a obrigação de a empresa informar em seu site aos consumidores “o lote das fazendas, com o respectivo município de origem do gado”.
Entretanto, apesar dessa exigência estar prevista nos acordos, apenas uma parcela dos frigoríficos tem disponibilizado publicamente essas informações, evidenciando uma lacuna no cumprimento dos compromissos assumidos e limitando a transparência da cadeia produtiva e a possibilidade de verificação independente da origem do gado. Na tabela 16 apresentamos a lista de frigoríficos da Amazônia e suas respectivas Unidades da Federação (UFs) de operação que divulgam a lista de suas fazendas fornecedoras.
Tabela 16. Lista de frigoríficos que operam na Amazônia Legal e divulgam a lista de suas fazendas fornecedoras
Fonte: Websites oficiais das empresas, 2026
* Obs.: Embora o Frigorífico Fortefrigo Ltda. disponibilize publicamente a lista de fazendas fornecedoras, as informações encontram-se desatualizadas, uma vez que a relação divulgada contempla apenas fornecedores até o ano de 2024.
2. Frigoríficos que possuem resultado de auditoria independente
A apresentação de resultados de auditorias independentes pelos frigoríficos é fundamental para demonstrar, de forma transparente e verificável, a efetividade das políticas adotadas para prevenir a aquisição de animais provenientes de áreas associadas ao desmatamento. A auditoria independente confere maior credibilidade às informações divulgadas, ao permitir a avaliação, por uma terceira parte, dos procedimentos de controle e monitoramento da cadeia de fornecedores.
No âmbito do Radar Verde, as auditorias independentes são utilizadas para atestar a implementação adequada das políticas contra o desmatamento apresentadas pelos frigoríficos e constituem um dos aspectos principais na avaliação. Elas correspondem a 80% da nota obtida pela empresa. Os outros 20% correspondem à apresentação da Política Contra o Desmatamento.
Nesse contexto, consideramos, anualmente, nesta avaliação, os resultados públicos de auditorias independentes realizadas no âmbito do TAC da Carne e divulgadas pelo MPF junto às instituições do terceiro setor e às Universidades de Wisconsin e UFMG. O número de empresas que tiveram seus resultados de auditoria independente divulgados em 2026 pode ser observado na Tabela 17.
Tabela 17. Quantidade de empresas frigoríficas mapeadas na avaliação Radar Verde
com resultados de auditorias independentes em 2026
Fonte: TAC da Carne/MPF, 2026.
O número de frigoríficos com resultados de auditorias independentes sobre suas operações de compra de gado apresentou crescimento expressivo nos últimos anos, como pode ser observado no Gráfico 1, passando de 13 empresas em 2024 para 41 em 2025 e alcançando 66 empresas em 2026.
Gráfico 1. Número de empresas frigoríficas que possuíam resultados de auditoria
independente (contratada ou automática) em 2024, 2025 e 2026
Fonte: TAC da Carne/MPF, 2026.
No âmbito do TAC da Carne, os frigoríficos signatários devem realizar, anualmente, auditorias sobre suas compras de gado, a fim de verificar o cumprimento dos compromissos assumidos para evitar a aquisição de animais provenientes de áreas com irregularidades socioambientais. Entretanto, nem todos os frigoríficos que atuam na cadeia são signatários do acordo ou, mesmo entre aqueles que possuem compromissos, contratam e divulgam os resultados de auditorias independentes. Diante dessa lacuna, o MPF, em parceria com a UFMG, passou a realizar auditorias automatizadas das compras de frigoríficos que não apresentam resultados de auditorias independentes contratadas.
Dessa forma, os resultados considerados pelo Radar Verde podem ter duas origens: auditorias independentes contratadas diretamente pelos frigoríficos ou auditorias automáticas realizadas pela UFMG e pelo MPF. Em 2026, foram identificadas 66 empresas com resultados de auditoria, sendo 29 provenientes de auditorias contratadas e 37 de auditorias automáticas. Assim, a existência de um resultado de auditoria na avaliação não significa, necessariamente, que o frigorífico tenha contratado uma auditoria independente ou seja signatário do TAC da Carne, uma vez que parte dos resultados decorre justamente do mecanismo criado para avaliar empresas que não apresentaram auditoria própria.
Considerando esse contexto, o Quadro 1 apresenta a relação das plantas frigoríficas com os resultados divulgados das auditorias independentes contratadas pelas próprias empresas.
Quadro 1. Listagem de empresas que contratam auditoria independente por estado.
Fonte: TAC da Carne/MPF, 2026.
Já o Quadro 2 apresenta a relação das plantas frigoríficas com os resultados das auditorias independentes realizadas de forma automática, aplicadas às empresas que não disponibilizaram resultados de auditorias independentes contratadas.
Quadro 2. Listagem de empresas que não contratam auditoria independente, mas tiveram
suas compras auditadas automaticamente.
Fonte: TAC da Carne/MPF, 2026.
Além dos dados apresentados anteriormente sobre o número de empresas auditadas em cada estado, é importante observar quais tipos de irregularidades foram identificados nessas auditorias, uma vez que a quantidade de empresas auditadas, isoladamente, não permite compreender a natureza dos problemas encontrados.
A Tabela 18 apresenta as principais irregularidades identificadas nas auditorias independentes (contratadas e automáticas) realizadas no âmbito do TAC da Carne, evidenciando diferenças entre os estados avaliados. No Acre e no Pará, as ocorrências mais frequentes estão relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), seja pela ausência de CAR, seja por alterações nos limites das propriedades. No Amazonas, destaca-se a ocorrência de embargos ambientais, enquanto, no Mato Grosso, em Rondônia e no Tocantins a principal irregularidade identificada foi a produtividade, relacionada à compatibilidade entre a produção pecuária declarada e a capacidade produtiva das propriedades. Esses resultados demonstram que as auditorias desempenham um papel importante na identificação de diferentes tipos de inconsistências ao longo da cadeia de fornecimento, permitindo evidenciar riscos que podem não ser detectados apenas pela análise documental convencional.
Tabela 18. Principais irregularidades identificadas nas auditorias independentes
(contratadas ou automáticas ) do TAC da Carne, por estado.
Fonte: TAC da Carne/MPF, 2026.
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