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RESULTADOS RADAR VERDE 2026 - Amazônia Legal

APÊNDICE

Contexto

Apesar da redução do desmatamento observada nos últimos anos, o balanço das últimas quatro décadas revela uma transformação profunda no uso da terra no Brasil. Entre 1985 e 2025, a cobertura de vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território nacional (MapBiomas, 2026), evidenciando uma substituição significativa de áreas naturais por atividades produtivas.

Nos últimos sete anos, o país perdeu aproximadamente 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa, dos quais mais de 84% concentraram-se nos biomas Amazônia e Cerrado. Esse processo está diretamente associado à expansão da agropecuária, que permanece o principal vetor de alteração do uso da terra. Entre 2018 e 2025, mais de 97% da área desmatada esteve vinculada à atividade agropecuária, proporção que chegou a 99% em 2025, o que equivale a 974.469 hectares (RAD/MapBiomas, 2026).

A análise do desmatamento autorizado e fiscalizado, segundo dados do Relatório Anual do Desmatamento (RAD, 2026), revela um quadro preocupante nos estados da Amazônia Legal, como Amazonas e Rondônia. Em ambos, apenas uma fração mínima do desmatamento foi autorizada — 0,3% no Amazonas e 2,3% em Rondônia —, enquanto a maior parte das áreas desmatadas foi identificada por meio de ações de fiscalização, o que correspondeu a 82,4% e 69,7% das áreas, respectivamente.

Esse cenário evidencia a persistência do desmatamento sem autorização, indicando práticas ilegais de conversão da vegetação nativa. A baixa proporção de áreas com autorização, somada ao elevado percentual de desmatamentos detectados pela fiscalização, reforça a necessidade de intensificar o monitoramento, a responsabilização e o combate às práticas ilegais, sobretudo nas regiões onde essa dinâmica se mostra mais acentuada. 

Paralelamente, dados de precipitação da plataforma MapBiomas Atmosfera apontam para um agravamento dos extremos climáticos associados a eventos de El Niño, com redução das chuvas em grande parte dos biomas brasileiros. Nos eventos de El Niño forte (1997/98, 2015/16 e 2023/24), a Amazônia registrou o maior déficit de precipitação, afetando especialmente as áreas destinadas à agropecuária. No último evento (2023/24), essas áreas registraram precipitação 178 mm abaixo da média climatológica. Esse quadro reforça a relação direta entre a conservação da vegetação nativa e a disponibilidade hídrica: o avanço do desmatamento contribui para alterações no ciclo das chuvas e intensifica a redução da precipitação. Cria-se, assim, uma contradição para a própria agropecuária, que figura entre os principais vetores de desmatamento, mas depende da regularidade das chuvas para manter sua produtividade. A perda de vegetação nativa, portanto, compromete as condições climáticas e hídricas essenciais à produção agropecuária, especialmente na Amazônia. 

Diante desse cenário, torna-se fundamental acompanhar continuamente o compromisso do setor pecuário com a redução do desmatamento ao longo de toda a sua cadeia de fornecimento. Nesse contexto, o Radar Verde desempenha um papel relevante ao avaliar anualmente as políticas e práticas adotadas pelas empresas (frigoríficos e varejistas) para prevenir e eliminar o desmatamento associado aos seus fornecedores de gado. Ao monitorar a evolução desse compromisso e apresentar à sociedade o nível de compromisso contra o desmatamento e a transparência das empresas, o Radar Verde contribui para identificar e reconhecer aquelas que estão mais avançadas na implementação de mecanismos capazes de retirar o desmatamento de suas cadeias de fornecimento, além de estimular maior transparência, responsabilidade e melhoria contínua no setor.

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