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RESULTADOS RADAR VERDE - CERRADO 2026

Recomendações

Recomendações

Os resultados do Radar Verde Cerrado 2026 evidenciam a necessidade de avanços estruturais nas políticas socioambientais dos frigoríficos atuantes no bioma Cerrado, conforme as recomendações a seguir:

  1. Ampliar os compromissos contra o desmatamento no Cerrado. Os frigoríficos devem adotar políticas contra o desmatamento aplicáveis explicitamente ao Cerrado, e não apenas à Amazônia. Essas políticas devem definir critérios claros para bloquear compras de fazendas com desmatamento, embargos ambientais, sobreposição com áreas protegidas ou outras irregularidades socioambientais. Também devem deixar claro se a empresa pretende excluir apenas o desmatamento ilegal ou também a conversão recente de vegetação nativa, mesmo quando autorizada. Essa distinção é decisiva no Cerrado, porque o Código Florestal permite percentuais menores de Reserva Legal em grande parte do bioma do que em áreas de floresta na Amazônia Legal (Brasil, 2012)

  2. Monitorar fornecedores diretos e indiretos. O controle apenas dos fornecedores diretos é insuficiente para demonstrar que a carne está livre de desmatamento. Os frigoríficos devem avançar para o monitoramento gradual dos fornecedores indiretos, usando informações de trânsito animal, Cadastro Ambiental Rural, bases fundiárias, dados de desmatamento e auditorias independentes. A nova agenda do MPF para fornecedores indiretos na Amazônia mostra que esse tema já é reconhecido como prioridade para a cadeia da pecuária e deve orientar avanços também no Cerrado (MPF, 2026; Boi na Linha, 2026).

  3. Garantir transparência ativa. A verificação independente é condição para a confiabilidade dos resultados. Recomenda-se ampliar a cobertura de auditorias e adotar protocolos conjuntos entre empresas, garantindo a padronização de critérios e a comparabilidade entre avaliações. Os frigoríficos devem divulgar publicamente suas políticas socioambientais, dados de compra de gado e resultados de auditorias independentes, além de responder aos questionários de iniciativas como o Radar Verde, fornecendo evidências verificáveis de seus compromissos.

  4. Aderir a protocolos verificáveis para o Cerrado. Iniciativas como o Protocolo de Monitoramento Voluntário de Fornecedores de Gado no Cerrado oferecem uma base para harmonizar critérios e reduzir a fragmentação das regras entre empresas. A adesão, porém, precisa ser acompanhada de implementação efetiva, divulgação de resultados e auditoria independente. O compromisso deve ser verificável, comparável e aplicável às áreas reais de compra dos frigoríficos.

  5. Envolver compradores, financiadores e investidores. Compradores de carne, redes varejistas, bancos e investidores podem acelerar a melhoria do setor ao exigir evidências de controle de fornecedores diretos e indiretos no Cerrado. Critérios de compra e financiamento devem considerar não apenas a existência de políticas, mas sua aplicação comprovada. Empresas que não divulgam dados, não respondem a questionários e não apresentam auditorias independentes devem ser tratadas como empresas de maior risco de transparência.
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